12th February 2001
schizo level Studio Report, Riff #19

Click for larger viewDepois do MCD Melégnia os Thanatos, agora ThanatoSchizO acabaram de gravar schizo level, o primeiro longa duração da banda, recorrendo mais uma vez à produção de Luís Barros nos seus Rec'N'Roll Studios. A banda, em consonância com a sua atitude pouco ortodoxa em relação ao meio musical, recusa-se, para já, a divulgar qual a editora que vai assumir o lançamento de schizo level, deixando-nos ainda mais intrigados quanto ao seu futuro próximo. Edição do Cd prevista para meados de Março. As explicações em torno de schizo level surgem-nos nas palavras de Guilhermino Martins...

Porquê schizo level?
Simplesmente porque analisámos em conjunto todos os temas deste trabalho e concluímos ser este o nome mais adequado para ele. No fundo é o mundo (nível de vivência) em que os membros da banda vivem, quase como outsiders da vida "normal" e quotidiana.
Partimos deste título para elaborar as músicas e acabámos por concluír que era de facto o nome perfeito para este álbum. Sintetiza, pois, o ideal máximo da banda e resultou como que de uma causa e consequência simultâneas dos treze temas incluídos.

Quais os convidados especiais?
Neste álbum tivemos muitas participações externas, que vieram enriquecer ainda mais o nosso trabalho. Partindo do uso inicial de uma secção de metais no primeiro tema do CD (RAW) até à utilização de uma flauta transversal em Nightmares Within, passando pela classe do solo do Nuno Pereira (guitarrista dos Holocausto Canibal) ou pela participação do excelente baixista Filipe Coelho, todos contribuíram para extremizar este schizo level. Ressalvo ainda a participação de António Correia, um excelente pianista que devidamente conseguiu dar um toque mais clássico a alguns temas.

Porque mudaram de nome?
A resposta a isso é bastante simples. No fundo o que se passou é que, ao longo de várias investigações em motores de busca na Internet face ao nome "Thanatos", viemos a descobrir (reconhecidamente tarde!) que exitem/existiram umas 6 a 7 bandas conhecidas com este nome. O mais cómico é que entretanto viemos a conhecer algumas delas (como é o caso dos Holandeses que estão agora na Hammerheart) e gostámos bastante do seu som. A mudança ocorre da forma mais natural possível, sem grandes percalços e o acréscimo de "Schizo" ao anterior nome até pode ser encarado como um reconhecimento da faceta vincadamente original que há-de sempre acompanhar esta banda. Complicado? Talvez, mas este é o nosso desejo!

Como foi trabalhar com o Luís Barros nos Rec'N'Roll Studios?
Bem... já foi a nossa segunda experiência com o Luís e mais uma vez concluímos o processo bastante satisfeitos com o resultado final. O ambiente de trabalho foi incrivelmente sereno e relaxante e, como o Luís já conhecia a essência do som da banda, foi bastante fácil organizar a estrutura da nossa performance e transmitir-lhe as nossas ideias. Estamos eternamente gratos ao Luís Barros pela sua dedicação, ainda mais depois das inúmeras experiências que fizemos em estúdio (conjugação ordenada de pedais de guitarra, inclusão de uma secção de metais e de uma flauta transversal e a forma pouco conservadora como alguns temas foram gravados). Aliás, a palavra "experimental" foi mesmo o tópico dominante destas 3/4 semanas. A produção é das mais fortes que já ouvi saídas deste estúdio e a masterização acentua ainda mais esse aspecto, o que nos leva a dizer que este trabalho em nada vai ficar a dever a produções internacionais deste nível.

Objectivos com este CD?
Muito sinceramente, para as pessoas envolvidas neste projecto, o objectivo máximo está atingido, ou seja, a materialização de um sonho, de um ideal: a gravação deste álbum, da forma como ela ocorreu e retratando uma série de sentimentos muito particulares e que nos são tão familiares. Pode parecer cliché (ou talvez não!), mas a partir de agora, se houver mais pessoas a gostarem desta nossa obra tanto melhor (é lógico que vai haver, pelas reacções das poucas pessoas que já a ouviram), mas não faremos (como nunca fizemos) do comercialismo a nossa prioridade (nem poderíamos, pois não praticamos um som tipicamente coerente ou linear). Talvez sejamos pouco abonatórios relativamente a nós próprios, mas é assim que somos e é assim que queremos ser. De qualquer forma, uma das nossas principais prioridades para este álbum é a continuação da internacionalização da banda, depois das excelentes respostas que obtivemos com o MCD Melégnia e ainda mais com as expectativas criadas pela editora de conseguir a distribuição do schizo level por todo o mundo de uma forma ainda mais intensa e profissional do que o MCD anterior.

O álbum foi gravado nos últimos dias do milénio nos Rec'N'Roll Studios com as gravações e a produção a cargo de Luís Barros.
Musicalmente, a banda revela-se mais forte, pesada e brutal por um lado e com uma maturidade e sensibilidade extremas ao nível de alguns temas menos rápidos, por outro.
Liricamente, o álbum reporta a viagem da personagem - já típica nos trabalhos desta banda - Suturn - por um universo marcadamente esquizofrénico, onde ele se descobre por completo e se prepara para enfrentar o mundo. Trata-se de uma viagem quase sempre futurista por contraposição ao ambiente medieval de Melégnia e baseada numa multiplicidade cultural (bem explícita pela diversidade da origem étnica dos samples utilizados neste álbum).

Texto: José Pedro Frade


Explicação da Estrutura Lírica/Musical dos temas:

01. RAW Este tema constitui a obra mais rápida, pesada, violenta e - tal como o nome indica - crua da nossa carreira e retrata a enorme diferença de ambientes que a "nossa" personagem enfrenta ao entrar neste mundo (schizo level). É um tema linear e pouco melódico mas que conquista a incoerência musical típica do nosso som com a introdução de uma secção de metais (trompa e trompete), que lhe dão uma consistência e textura completamente surreais.

02. Suturn Trata-se de um tema que mantém o índice de brutalidade (embora mais amenizado) do tema anterior e sintetiza toda a vivência presente de Suturn. Neste tema recorremos a uma série de harmonias clássicas, de forma a melhor traduzir este ambiente específico. É, sem qualquer dúvida, de todos os temas do álbum o que mais rodagem já teve ao vivo, pois era com ele que abríamos todos os concertos da infame "Chaos & Disorder Tour '00". É claramente um dos temas mais fortes de schizo level.

03. Patheon (as in strip-tease) Este tema (um dos mais antigos da banda, tendo sido composto ainda antes da gravação de Melégnia) tem uma sonoridade tipicamente nipónica e ilustra perfeitamente a multiplicidade étnica do som da banda bem como a amplitude lírica do conceito que resolvemos abordar. Fizemos uso de uma série de samples de tendência claramente asiática e o tema na sua forma bruta é construído com base numa hamonia de guitarra dessa natureza. Nestes três primeiros temas está bem vincada a veia mais pesada dos elementos de ThanatoSchizO...

04. Withering Art É um tema com uma cadência carecterística do metal dos anos 80, que se desenvolve com base em 2 riffs bastante simples. Como sempre, para dar um ar da originalidade típica desta banda, há uma mistura bem conseguida entre blast-beats, voz feminina (usada de forma pouco conservadora) e um longo solo a meio do tema. Liricamente mostra mais um dos paradigmas psicológicos deste álbum.

05. Nightmares Within Melancolia e tristeza: duas palavras que ressaltam da audição deste tema. Ressalvando a natural textura dos nossos temas, trata-se de uma música psicologicamente violenta com uma veia claramente "doom", mas a piscar o olho ao amplo universo psicadélico. O uso de uma flauta transversal transforma o tema num verdadeiro hino romântico e com (ainda) algum toque medieval, baseado numa voz feminina cândida e serena.

06. Cântico Negro Palavras para quê?! Um dos poemas que mais idolatramos de um dos maiores poetas nacionais - José Régio - ao qual demos um tratamento especial! Ele coloca em relevo toda a filosofia de ThanatoSchizO a todos os níveis, lírico, musical e até da própria maneira de ser e estar no meio musical.

07. Tiger's Doom Sem dúvida o tema mais original, esquizofrénico e fora dos parâmetros normais do metal convencional que esta banda alguma vez compôs. Mais um ambiente étnico de outras paragens (samples Indianos) misturado com um psicadelismo originário de uma multiplicidade de ruídos saídos das guitarras e uma estrutura musical assente no trabalho do baixo. Este tema encerra, contudo, bastante melodia, mormente ao nível do refrão e desenvolve-se até um climax caracterizado por uma estrutura tipicamente "thrash".

08. Love & Breath (Rebind of thy Restless Mess I) Este tema está intimamente ligado com o seguinte e trata-se de uma versão/introdução instrumental com base num piano e numa guitarra acústica. A melodia intrínseca transpira uma série de sentimentos fortes (não necessariamente negativos).

09. A Day... (Rebind of thy Restless Mess II)
Um dos temas onde mais claramente se vislubram as influências mais recentes da banda e toda a maturidade que os seus elementos têm conquistado (principalmente ao nível da composição) ao longo dos últimos anos, nomeadamente devido aos inúmeros concertos realizados. A letra é definitivamente uma das mais belas de todo o álbum e ajusta-se perfeitamente a toda a ficção (talvez realidade) retratada neste schizo level.

10. Big Bang Trata-se de um tema definitivamente intenso, tocado apenas com um baixo e que transmite toda uma série de marcas anímicas intensas e capazes de mover montanhas. Um tema só possível dada a importância que a banda desde sempre deu ao baixo, um instrumento tão menosprezado nos meandros do metal nos dias que correm.

11. Nausea É um tema épico e liricamente baseia-se mais uma vez no síndroma da misantropia que tanto abala a banda. De um extracto de um texto de Shakespeare até um solo deveras sentido, passando por uma base rítmica algo fora do comum, este tema revela-se pela sua simplicidade, revelando, mais uma vez, o crescendo de maturidade ao nível da composição da banda.

12. Thanatos Um tributo (inserido devidamente no contexto da ficção construída)! Um tema tecnicamente irregular e de uma inconstância estrutural deveras vincada (a fazer lembrar alguns dos temas fortes de Melégnia), com um peso bastante intenso e uma das letras menos ortodoxas que invadiram o novo álbum.

13. Weird Curse Uma amálgama de ... ruídos provenientes da metamorfose de Suturn aquando do seu regresso à vida real! É um tema acente numa base musical claramente industrial, com um uso de samples bastante enraízado e onde alguns dos membros da banda exorcizaram os seus demónios. O tema encerra com o regresso físico do personagem à realidade e com uma melodia pseudo-escondida mesmo no fim do tempo útil do álbum.
5 CDs + 1 EP + T-shirt
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