03rd January 2008
Zoom Code Studio Report, Underworld - Entulho Informativo #25

Muitas viagens se revelam nos horizontes do labirinto negro dos ThanatoSchizo. Zoom Code é o próximo mapa de sons que reserva ainda algumas surpresas. O UW esteve lá.

Click for a larger viewFoi num Domingo quente que mergulhámos no trânsito infernal com destino aos estúdios Rec n’ Roll para ouvirmos em primeira mão o novo disco dos ThanatoSchizo. Chegados ao destino, onde já estavam alguns jornalistas, foi-nos dada a oportunidade de confraternizar informalmente com os elementos da banda, que demonstravam entusiasmo por aquele dia. Os ThanatoSchizo sempre foram difíceis de catalogar e, para já, isso não vai mudar. O seu Death Metal Progressivo sempre foi salpicado com outros estilos musicais, sejam eles o Doom, o Black Metal ou até alguma música do mundo. Bandas destas, que insistentemente tentam quebrar barreiras, catalogam-se como Avantgarde. No fundo falámos de tornar as coisas extremas, improvisar, reciclar a norma, mesclar várias influências. Ulver, Arcturus, Maudlin of The Well são alguns colectivos que evoluíram para um patamar onde a música é cada vez mais difícil de catalogar, em certos casos provocando até estranheza. Pode soar a exagero, afinal não deixam de ser Metal, mas um Metal diferente e único. Chegada a hora, sentámo-nos todos sem grandes formalidades e arrancaram os novos sons dos ThanatoSchizo. Não é fácil avaliar um disco como Zoom Code, de relativa complexidade, com apenas uma audição, mas creio que as boas impressões iniciais se poderão transformar numa certeza em 2008.

01. Thick 'n' Blurry

Uma bela entrada melódica com variações na estrutura da música e um suave “sinfonismo” perfeito para nos agarrar aos primeiros minutos deste trabalho.

02. L.

Primeira surpresa deste trabalho, um solo de violino completamente insano de Timb Harris (Estradasphere), que agita uma das músicas mais fascinantes deste disco. Provavelmente os Estradasphere não são muito conhecidos nos meandros do Metal mas faz sentido falar deles como próximos da constelação de influências que rodeiam o colectivo português, pela loucura saudável que levou os Estradasphere a misturarem um número absurdo de estilos, onde um salto do Jazz á música clássica, passando pelo Heavy Metal era apenas um suave passeio. Passados alguns minutos deste tema – faz-se sol com segmentos de música étnica, música do mundo, num extremo exótico. As vozes surgem num jogo seguro entre o gutural e a “candescência” harmoniosa de Patrícia Rodrigues.

03. Hereafter Path

Mais uma surpresa. Tema rasgado de Death Metal mas com a presença da tradicional concertina aqui empenhada por António Pereira. Uma música desafiante, evoluindo para paisagens ambientais e os riffs que rapidamente levantam o peso.

04. (Un)bearable Certainty

Alguns pormenores de electrónica chocando com rochas implacáveis de Death Metal e ondulações Progressivas que se vão revelando. O baixo de Miguel Ângelo cria algum groove e com ele surgem momentos mais calmos.

05. Pleasure Pursuit

Tema poderoso com a voz feminina a levitar todos os instrumentos até um refrão bastante orelhudo. Voltamos a ouvir algumas sequências Etno-prog próximas de Aghora. Um hino.

06. The Shift

Esta música poderá ser considerada quase como um intervalo, consistindo num trabalho de sampling de Svein Egil Hatlevik e Francisco Pina. Svein tem demonstrado a sua criatividade em bandas como Zveizz e Fleurety, tendo também pertencido aos DHG (Dodheimsgard). Poderá discutir-se a eficácia deste curto experimentalismo a meio do disco, mas à margem disso, a música convence e fala por si.

07. Last of the Few

Épico. A força do pedal duplo nas garras de Paulo Adelino num tema melódico. Os vários registos vocais vão-se cruzando, preenchendo o corpo deste tema.

08. Pale Blue Perishes

Música inteligentemente construída. Pesada e consistente. O progressivo e o Death Metal, com grandes riffs e um solo cheio de alma.

09. Pervarsive Healing

Death Metal com refrão melódico. Bem ritmado e eficaz com um andamento mais Rock.

10. Nothing As it Seems

Continua-se a trilhar a mesma estrada do tema anterior. Surgem aqui alguns efeitos que já haviam pintado outras músicas. Rapidamente aproximámo-nos do fim com vontade de voltar a ouvir o disco.

11. Awareness

Fecham-se as cortinas quando tudo se torna mais brilhante. Os ThanatoSchizo encontram-se com uma espécie de Jazz fusão e António Pereira desta vez ao leme de um saxofone. Confirma-se o rótulo Avantgarde naquele que é uma das melhores composições do disco e da própria banda.

Os ThanatoSchizo têm três discos (Schizo Level, InsominousNightLift e Turbulence) juntando-se o EP Melégnia. Este quarto trabalho teve produção dos irmãos Barros nos Rec n’ Roll e foi masterizado por Tommy Newton nos estúdios Area 51 na Alemanha.

Pedro Nunes
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