Press - Interviews
21st April 2005
Interview for Sound(/)Zone Webzine

DESPERTAR TURBULENTO
Para quem ainda não reparou, os ThanatoSchizo são a causa de muita da “turbulência” musical que se vive neste país. Só quem provavelmente esteve a hibernar ou noutro estado de consciência durante os últimos anos é que ainda não se apercebeu disso. Mas com o seu novo “Turbulence” prometem definitivamente arrebatar os nossos ouvidos e instaurar uma nova ordem no nosso panorama metálico. Recuperado de um estado de insónia esquizofrénica para um estado de turbulência emocional, o guitarrista Guilhermino Martins.

Mais uma “bomba” lançada pelos ThanatoSchizo… Esta a causar muita turbulência por sinal! Como encaras este novo álbum na carreira dos ThanatoSchizo?
No fundo, trata-se de mais um passo evolutivo. O terceiro grande passo, sendo aquele ao qual nos dedicamos de forma mais profunda, o que nos provocou mais cabelos brancos e nos fez despender mais tempo de composição e gravação. Com o decorrer dos anos, fomos aprendendo a dar cada vez mais importância aos detalhes e isso reflecte-se na audição de “Turbulence”. Como tal, estamos muito orgulhosos deste trabalho a todos os níveis: composição, produção... até ao encarte final.

A nível de evolução, o que achas que este ”Turbulence” veio trazer?
Mais maturidade na composição. Os anos de estrada vão pesando positiva e naturalmente quando estamos a compor pois vamo-nos apercebendo do material que resultará [ou não] melhor ao vivo. Além disso, embora tratando-se de um álbum que queríamos de forte impacto em palco, não descurámos os pequenos detalhes: aqueles que muitas vezes passam despercebidos nas primeiras audições mas que, com o tempo, acabam por fazer os ouvintes sentirem vontade de escutar o registo. Simplificando, partimos do regime ambiental de “InsomniousNightLift” – álbum anterior – e acrescentámos-lhe uma dinâmica “live”, mais pesada, para que os temas resultassem melhor ao vivo.

Na minha opinião, o disco ficou a ganhar claramente pela produção [cheia] e pelas composições que estão mais coesas do que nunca. Concordas? Em que pontos dirias que a banda se debruçou particularmente para que este álbum soasse o melhor de sempre?
O Luís Barros fez um trabalho incrível ao nível da produção e conseguiu perceber desde o primeiro dia o tipo de sonoridade que pretendíamos apresentar. A hiper-orquestração (com várias camadas de instrumentos clássicos sintetizados em segundo plano) dos temas foi um dos passos para tornar o som tão “cheio”. Além disso, desta vez, gravámos quatro linhas de guitarra ritmo (para além das “lead”, solos, clean guitars) e perdemos, no caso das guitarras, dois dias só para definir a sua sonoridade base. São estes os pequenos pormenores de que falei atrás e que, no final, acabam por compensar o tempo gasto.

A nível técnico, destacaria o maior progresso para a bateria! O Paulo parece-me muito mais em “jogo” desta vez!... O que foi que se passou desta vez? Foi algo premeditado?
Sinceramente, notei a grande evolução do Paulo do primeiro para o segundo álbum. Desta vez ele está ainda mais dinâmico e sólido, é certo, mas a tua ideia também advém do excelente trabalho de produção que a bateria teve. A esse nível, também não é alheio o facto de, pela primeira vez, o Paulo ter gravado com o seu set de bateria, o que lhe permitiu estar muito mais à vontade nas gravações, para além de que, sendo um kit de excelente qualidade, permitiu que o som dele sacado fosse o melhor de sempre nos nossos registos.

Também as partes mais agressivas parecem-me mais em destaque do que, por exemplo, em “InsomniusNightLift”. Os riffs de guitarra estão repletos de groove e muito contagiantes! Li numa entrevista em que dizias que o vosso anterior álbum acabava por resultar menos bem ao vivo uma vez que era mais ambiental… Este tem mais “power”, digamos assim… Já conseguiste comprovar isso ao vivo? Como tem sido os vossos concertos?
Acabámos de chegar de um fim-de-semana estonteante na zona de Lisboa onde tocámos três vezes em dois dias e, acredita, que o sentimento é de enorme satisfação por percebermos que acertámos na “fórmula” em termos de “live-performance”. Os novos temas, bem como os antigos adaptados a roupagens na linha do último álbum, resultam muitíssimo bem e agrada-nos constatar o intenso headbanging que percorre o público do início ao fim dos nossos concertos.

A nível de conceito, o que foi que vos inspirou para construir este álbum? A que turbulência se referem?
Turbulência espiritual. Desde o primeiro álbum que os nossos temas giram à volta de aspectos pessoais. A turbulência exposta no novo álbum, nomeadamente as diversas imagens de catástrofes [naturais ou provocadas pelo Homem] simboliza a catadupa de sentimentos que percorrem o ser humano no espaço de um segundo. Representam a inquietação por que a nossa mente passa a todo o instante, os estímulos, os medos, a dor...

Notei bastantes “fragmentos” de Opeth neste novo álbum… Apesar de vocês serem conhecidos, precisamente, pelo vosso ecletismo e variedade, será que podemos considerar alguma influência “mãe” nas vossas composições? Há pelo menos algum grupo em especial que todos admirem dentro da banda?
Se me pedires para elaborar a lista das nossas bandas preferidas, provavelmente ficarás admirado com o nosso ecletismo e a variedade de estilos (dentro e fora do metal) que cada um de nós aprecia. A minha banda preferida, por exemplo, é Faith No More. O fantasma de Opeth talvez paire à volta deste álbum devido a 2 factores: os “growls” do Eduardo e a sonoridade das guitarras. A partir daí, não vejo qualquer ponto de ligação entre as duas bandas. Tenho é consciência que muita gente “pega” nisso para tentar menosprezar este registo, uma vez que não se podem, como se diz na gíria, “agarrar” a mais nada para criticar (composição, produção, sonoridade, maturidade, indefinição de estilo, etc) como fizeram no passado. De qualquer forma, posso-te dizer que preferimos ser colocados na mesma “prateleira” de Opeth a, como no passado, sermos comparados a bandas das quais não gostamos minimamente.

Nove minutos de imagens de estúdio em ficheiro multimédia no vosso novo álbum… Algo que agrada sempre os fãs! Já pensaram em editar um DVD?
Já sim, mas ainda é muito cedo. De qualquer forma, temos um cameraman que nos persegue para onde quer que vamos (concertos, ensaios...), e nos filma nas mais diversas situações já a pensar na possibilidade futura da edição de um DVD.

Para além daquelas imagens, há alguma história curiosa que tenha ocorrido durante as gravações de “Turbulence”?
Tantas histórias, tantos episódios...Hum, que me ocorre de imediato e que nos deixou de queixo caído foi quando o Luís Barros pegou na guitarra do Eduardo e a desafinou para tonalidades impensáveis de forma a fazê-la soar a cítara. O pormenor de deixar as cordas ligeiramente desafinadas entre si foi enigmático mas a verdade é que no final, no tema “Void”, imagina-se realmente uma cítara a tocar. Este e outros episódios estão descritos no diário de estúdio que acompanha a secção multimédia do nosso álbum.

Há concerteza algumas questões que devem já estar a considerar quanto ao futuro dos ThanatoSchizo. Portugal parece rendido ao vosso talento, no estrangeiro as coisas também não estão muito diferentes… No entanto, o estatuto da banda já começa a exigir algo maior, algo que possa levar a banda a um patamar ainda mais elevado. Por exemplo, já pensaram em gravar no estrangeiro?
Um passo de cada vez, é o nosso lema. Temos a consciência de que é uma tarefa árdua mas, aos poucos, calmamente, vamos crescendo e a última coisa que algum dia vão testemunhar é esta banda em “bicos de pés”. Existe atitude mais patética num grupo?

Por outro lado, como é que está a vossa situação contratual? O contracto com a Misdeed Records dura até quando? Depois disso, o que esperam alcançar?
Os responsáveis pela Misdeed são das pessoas mais “terra-a-terra”, amigáveis e sérias que conhecemos ao longo dos anos e não há, per si, um período contratual pré-estabelecido. Além disso, exclusivamente para o território nacional, o trabalho da Misdeed tem sido excelente e não temos qualquer razão de queixa. O que esperamos alcançar? Hum...a médio prazo: porque não tocarmos finalmente nos Açores?

Nu

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