Press - Interviews
07th June 2005
Interview for Arauto Metálico fanzine

Click for a larger view1. Qual o actual momento dos ThanatoSchizO?
Eduardo:
Vivemos actualmente um clima extremamente positivo em todos os aspectos. Desde a harmonia entre todos os elementos, que parte de uma pirâmide baseada e partilhada no respeito, admiração e ambição (comum), até à expectativa das reacções ao novo disco. Tudo, claro, sem desassociar os projectos futuros em grupo, cada vez mais coerentes no que queremos e fazemos e mais honestos no que toca à frontalidade com que encaramos todos os desafios a que nos propomos. O que acontece é que sinto que o entrecruzamento das nossas ideias resultou no que sempre desejámos. Isso é-nos comprovado diariamente (ou quase). Tudo está, pois, a correr muito bem. Desde que acabámos de gravar o Turbulence , temos caído num estado de graça interno e grande parte dos frutos advém desse excerto de diferentes caules. O disco vai ser editado em breve a nível internacional pela australiana Pandemonium Records e, até agora, em território nacional, as expectativas têm sido tão boas como nunca e disso não nos podemos queixar...

2. Que expectativas têm em relação ao vosso futuro?
Eduardo:
A ideia... a expectativa é, com a edição do disco pela nova editora, abranger um mercado mais alargado, coisa que não estava denominado pela Rage of Achiles – editora que, infelizmente, não sobreviveu para além de 2004 -, de modo a que o nosso histórico e som sejam conhecidos em mais locais e por mais pessoas. Naturalmente isso já é muito importante para nós! Contamos desta vez com uma promoção um pouco mais intensa e com entrevistas e reviews que atraiam maior atenção do público desconhecedor da banda. Claro está que, uma vez que ainda não foi possível pisar palcos estrangeiros, contamos com os palcos nacionais, poucos, mas (alguns) de qualidade para promover o disco e a animação das hostes nacionais. O site continuará a ser uma mais valia como tem sido desde que foi criado, para nos promovermos com tudo o que nos diz respeito artisticamente. A ambição, apesar de grande, é comedida à realidade, quebrando-se aos poucos; cada passo a seu tempo. O tempo será sempre ouro para nós e um outro aliado!
Guilhermino: ...E, provavelmente, essa nossa atitude de ter os “pés bem assentes no chão” é que nos permite manter a banda tão saudável ao fim de sete anos e meio. Um passo de cada vez...

3. Que relação há entre os vossos 4 trabalhos e como os caracterizam sonoramente?
Guilhermino:
O primeiro EP – Melégnia – foi editado em 1999 e acabou por ser o nosso cartão de visita na cena portuguesa. Julgo mesmo que fomos dos primeiros grupos da nossa geração a apostar numa edição de autor. Investimos os fundos que tínhamos juntado durante um ano de concertos e apostámos forte nesse lançamento. Por esta altura, podemos admiti-lo, ainda não tínhamos propriamente uma ideia definida sobre que tipo de som praticar e isso transparece da audição do EP. Porém, talvez seja essa ingenuidade que nos proporcionou tão boas reviews e a começar, desde aí, a juntar à nossa volta uma base de amigos e fãs, que, de alguma forma, se sentiram cativados pelo grupo. Além disso, Melégnia permitiu-nos chegar ao primeiro contrato com a Misdeed Records.
Dessa forma, em 2001 editámos o nosso primeiro álbum: Schizo Level . Olhando para trás, tenho ideia de que, mais uma vez, marcámos bem a diferença ao apresentar um álbum tão diverso em termos musicais e que nos permitiu aglomerar mais uma série de adeptos, bem como obter excelentes reviews . Este álbum foi o nosso passaporte para assinar com a britânica Rage of Achilles que, em 2003, editou o segundo álbum do grupo: InsomniousNightLift . Desta feita, a toada do álbum foi centralizada mais na atmosfera e no doom metal e a nossa ligação à editora permitiu-nos uma maior difusão do grupo (podem consultar todas as reviews no nosso site ).
Em 2004 editámos o terceiro álbum – Turbulence – que crítica e fãs continuam a aclamar como o nosso passo mais consistente e maduro. A banda vê-o como uma fusão de death metal com rock progressivo e várias influências étnicas, tudo condimentado por arranjos pouco ortodoxos.
Há um fio condutor entre todos os nossos lançamentos. Quer lírica como musicalmente há uma linha evolutiva que germinou a partir da típica ingenuidade inicial e desaguou no último álbum, repleto de momentos tão fortes, conseguidos à custa do “calo” que sete anos a tocar juntos nos permitiram ganhar.

4. A vossa sonoridade sai um pouco dos padrões mais habituais no metal. Como é que o publico tem reagido aos vossos trabalhos? E nos concertos ao vivo?
Eduardo:
Bem, não será de todo mentira que, ao mesmo tempo que fazemos questão de quebrar essa barreira, seria inevitável que isso não acontecesse. Primeiro porque não ouvimos só metal, logo não somos apenas influenciados por sons “pesados” e isso não se reflecte única e exclusivamente no que fazemos. Depois – e essa é que é a essência do colectivo – o processo criativo: apesar de no final todos estarmos satisfeitos com os resultados sonoros, partimos sempre com uma exótica – e sempre diferente entre os 6 elementos – intenção e pré-definição do que queremos que seja esta ou aquela música . Somos tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais e partilhamos uma tamanha diversidade de conceitos e gostos, que no fim acabamos por resultar numa coisa que para uns é tão óbvio e para outros tão dissonante. Agrada-me particularmente considerar que a nossa música é, acima de tudo, para além de forte, suficientemente cativante e refrescante para quem a ouve. As reacções de surpresa e apreço pelo que fazemos são em grande parte reflexo do bom tempero que conseguimos em cada disco e os concertos, numa dinâmica mais acesa, não fogem à regra. É mesmo muito gratificante a reacção do público. Desde o ar mais introspectivo ao mais agitado, em coro ou não, numa transparência exacerbada. Felizmente somos suficientemente acarinhados...
Guilhermino: Repara: não há da nossa parte qualquer interesse em padronizar a nossa sonoridade de acordo com correntes vigentes. Isso tirar-nos-ia toda a chama e, sinceramente, seria ridiculamente aborrecido para nós, enquanto músicos. Felizmente, as reacções do público acabam por justificar e apoiar a nossa postura neste campo.

5. Algo que a banda deixa transparecer é que tem uma grande paixão musical e em especial pelo metal. De que modo isto afecta a vossa sonoridade?
Eduardo:
Bem, agora surpreendeste-me! Acredita que isso nos lisonjeia. No entanto, a verdade é que somos uma banda de metal que, aberta aos mais ínfimos componentes, pretende assumir a melhor contribuição da exploração de diferentes universos. É isso que nos tem seduzido e alimentado até aqui. Se pretendêssemos uma sonoridade diferente, ThanatoSchizO não existia e seríamos certamente diferentes pessoas. Se me juntar a ti e decidirmos pôr em prática uma diferente cena que sintamos, a coisa resultaria igualmente distinta. Conclusão, afecta-nos tanto que somos caracterizados, orgulhosamente, da maneira que somos: diferentes. Seremos?

6. Quais as bandas de maior influencia e fontes de inspiração?
Eduardo:
Difícil... não sei se te posso responder acrescentando mais àquilo que já referi até agora! Somos seis e nem todos partilhamos o mesmo ou semelhante poço. Para cada espaço há uma medida, reacção e energia... No fundo trata-se da maneira como absorvemos as proteínas das águas das diferentes fontes! Isso por sua vez combinado com as capacidades e limitações de cada um de nós e posteriormente com os seis, definirá uma causa, um conceito..

7. Vocês têm mantido a confiança no Luís Barros e nos Rec'n'Roll Studios. Essa aliança é para continuar ou gostavam de experimentar outros estúdios?
Eduardo:
Enquanto as possibilidades nos permitirem trabalhar, nas condições apresentadas pelo nosso país, com o Luís, podes ter a certeza que não hesitamos. Ele é o melhor produtor nacional de metal. Um grande amigo com quem estamos tão à vontade a trabalhar, que, até agora, não poderia deixar de ser a melhor opção. Além de todo o profissionalismo técnico é também um fantástico teórico. Isso apraz-nos imenso e acaba por dar uma pitada arrojada em cada música! Como sabes, nem sempre querer é poder. Adorava gravar em Helsínquia ou em Londres. Mas se não se pode ter tudo de uma só vez...

8. Que opinião têm sobre o estado do metal em Portugal?
Guilhermino:
Desde que começámos, noto uma boa evolução: melhores bandas, melhores PA's, melhores técnicos, organizações mais conscientes. No fundo, depois daquele impulso inicial onde tudo era feito “à toa” (mas não necessariamente sem paixão pela causa), as pessoas felizmente perceberam que a solução para dignificarem e melhor promoverem este estilo passaria por um maior cuidado nos pormenores. Desde bandas a promotores, penso que todos perceberam a importância de melhorar e isso foi, de certa forma, conseguido. Além disso, felizmente, nos últimos tempos têm aparecido cada vez mais clubes para as bandas se poderem mostrar e isso é, naturalmente, meritório. Obviamente que continuam a haver alguns espinhos na nossa cena, mas o saldo é, por ora, positivo.

9. O que pode ser feito para melhorar?
Guilhermino:
Questão pertinente! Não é algo que nos preocupe, para ser sincero, porque estamos de consciência tranquila. Além disso, temos uma tendência intuitiva para nos afastarmos de tudo o que consideramos estar podre. Cada entidade (banda, imprensa, promotores) deve dar o seu melhor e isso tem, de facto, acontecido...pelo menos na maior parte dos casos, mas também, quando isso não acontece, tudo costuma acabar com tiros nos próprios pés, portanto...

10. Últimas palavras para os leitores do Arauto Metálico .
Eduardo:
É de facto importante o vosso apoio ao metal nacional. Porém, contribuam construtivamente, não incubando mais aquilo que já podia ter deixado de ser há muito uma simples quimera.
Guilhermino: Visitem o nosso site www.thanatoschizo.com e esperamos ver-vos num próximo concerto. Obrigado também a ti, José, por esta ent

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