Press - Interviews
01st August 2005
Interview for Novo Metal

Apesar de praticamente desconhecido aqui no Brasil, o ThanatoSchizO é uma banda com sete anos de estrada e que soma três álbuns de estúdio (Schizo Level, InsomniousNightLift e Turbulence) e um EP (Melégnia). Um ano após a sua formação, já excursionavam ao lado de nomes como Sinister, Asgaroth, Pandemia, Purgatory, Sirius, Symawrath, Malevolence e Aborted. E foi com um som bastante criativo, mesclando death, progressivo, black, gothic e doom que eles se tornaram bastante conhecidos em Portugal, onde o mais novo trabalho Turbulence foi considerado o melhor álbum de 2004 pela publicação LOUD! onde ficaram ainda em segundo lugar na categoria “melhor banda”, atrás somente do Moonspell. Confira agora a entrevista com o guitarrista Guilhermino Martins, que fala sobre a origem da palavra “ThanatoSchizO”, as influências da banda e as comparações com o Opeth, dentre outras coisas.

Novo Metal: Em primeiro lugar, o que significa ThanatoSchizO? Thanatos era um deus grego, não é isso? Qual é a relação desse nome com a ideologia da banda?
Guilhermino:
“ThanatoSchizO” resulta da aglutinação de duas palavras: “Thanatos” – segundo Freud, o instinto humano para o abismo, para o perigo ou, simplificando, a tentação do Homem pelo lado negro da vida – e “SchizO” – que vem de esquizofrenia (schizophrenia em inglês). No fundo, é o impulso para o abismo motivado pela esquizofrenia. Thanatos era, de facto, o deus grego da morte, mas não foi com esse conceito em mente que adaptamos este nome.

Novo Metal: No site de vocês tem dizendo que o objetivo inicial do projeto era criar algo único. Diante de tantas bandas e estilo diferentes, isso não é algo bastante difícil? E o que vocês acham que o ThanatoSchizO tem de diferente e único para mostrar, em relação às outras bandas?
Guilhermino:
Não é tão difícil quanto possa parecer. Acima de tudo, depende das influências de cada banda. Aquilo que oferecemos resulta exatamente da variedade de expressões musicais que nos afetam, uma vez que não ouvimos todos as mesmas sonoridades e, principalmente, não ouvimos apenas Metal. Na verdade, este gênero musical é apenas uma parte da nossa dieta musical. Tudo isto, aliado à nossa postura muito pouco ortodoxa para uma banda deste espectro, acaba por gerar todo um conceito musical diferente do habitual.

Novo Metal: Quais as principais influências dos integrantes do ThanatoSchizO e até que ponto isso transparece nas músicas da banda?
Guilhermino:
Ficaríamos aqui uma semana a descrever todas as nossas influências. Além disso, mais do que a música, é a nossa vivência, a forma como observamos o mundo, a nossa experiência acumulada que acaba por pesar de forma mais expressa em termos de influência na nossa composição.

Novo Metal: Ouvindo Turbulence conseguimos notar algumas influências de Opeth, principalmente na faixa “Soured Memory”. Isso é algo que muita gente já notou? O que vocês acham dessa relação, o Opeth é uma banda que vocês gostam?
Guilhermino:
Opeth é um fantasma que nos persegue desde há algum tempo. No fundo, acredito que haja pontos em comum entre as duas banda (os “growls”, o som das guitarras e a constante alternância entre partes extremas e partes calmas), mas há demasiados pontos divergentes que distinguem as bandas: as vozes femininas, a abordagem clássica e as orquestrações ao nível dos teclados ou a sensibilidade ao nível do conceito de “canção” (por oposto à eterna desconstrução musical, típica em Opeth). De qualquer forma, tratando-se, sem dúvida, de uma excelente banda, não nos perturba sermos comparados a eles.

Novo Metal: A última faixa de Turbulence, “Void” tem elementos e melodias árabes. Qual foi a intenção de vocês ao colocar essa influência nessa música?
Guilhermino:
A influência mediterrânea! Está presente na nossa música desde o primeiro EP em 1998. Trata-se de uma herança cultural da qual não podemos, nem queremos fugir. Nesse tema, ela é, de fato, muito evidente e é apenas mais um condimento com que temperamos a nossa música.

Novo Metal: A voz do Eduardo Paulo em “Traces” está muito parecida com do Christopher (Lacrimas Profundere). Será que só eu ouvi isso ou ele também é um admirador do Lacrimas Profundere?
Guilhermino:
É a primeira vez que somos confrontados com essa comparação, mas penso que a única pessoa no grupo que ouve Lacrimas Produndere é a nossa vocalista, Patrícia. Daí achar muito estranho que possas pensar que ele poderá ser um admirador. Mera coincidência, definitivamente.

Novo Metal: Ao contrário do que aconteceu no SchizO Level, não há nenhuma letra em Português no Turbulence. Aqui no Brasil diversas bandas estão apostando em colocar pelo menos uma música em Português. Porque isso não ocorreu no Turbulence?
Guilhermino:
Não pensamos muito nessa variante. As coisas no seio deste grupo acontecem de forma natural e desde o primeiro álbum que não sentimos necessidade de usar líricas em Português. Quem sabe no futuro...

Novo Metal: Por que Turbulence como título do CD? Essa “turbulência” está mais presente nas letras ou em suas músicas? Relate também um pouco da temática das letras do ThanatoSchizO.
Guilhermino:
Turbulence porque as letras e a música presentes no álbum ilustram momentos, sensações, sentimentos e estados de espírito agitados. Em ambos há essa turbulência e as letras são expressões de vivência pessoal. São sentimentos tornados líricas.

Novo Metal: Como é o processo de gravação? Vocês arrancam os cabelos para criar essa atmosfera de agressividade com pontos mais melódicos/calmos ou isso flui naturalmente? Inclusive as faixas tem uma duração relativamente longa.
Guilhermino:
O processo de gravação é calmo. Por essa altura já temos tudo pré-produzido e sabemos perfeitamente tudo o que queremos em termos de performance coletiva e de som. Em termos de composição, aí sim, as coisas são mais agitadas: passamos muito tempo na sala de ensaios à procura do equilíbrio ideal das partes mais extremas com as calmas e, principalmente, buscando a melhor estruturação possível das diversas partes dos temas, de forma a que esta agrade a todos os elementos do grupo. O fato dos temas serem longos talvez advenha daí, uma vez que há uma total democracia no seio da banda no que concerne à sua criação.

Novo Metal: Como vocês caracterizam o som da banda nos primeiros CDs em relação ao Turbulence. Quais as principais mudanças?
Guilhermino:
A principal mudança equivale a uma só palavra: maturidade. Cada álbum é um passo em frente em termos de experiência e, naturalmente, isso permite-nos ir melhorando à medida que o tempo passa e acumulando experiência. O primeiro álbum é muito variado e reúne em si uma série de estilos. Era algo que pretendíamos fazer na altura, mas, com o tempo, houve a preocupação de nos focarmos naquilo que sentíamos fazer melhor. Daí o segundo álbum – InsomniousNightLift – ser essencialmente centralizado no doom/ death metal. Turbulence arranca a partir desse legado e tenta levá-lo ao extremo (quer nas partes fortes, quer nas calmas), de forma a tornar os temas ainda mais dinâmicos e interessantes de tocar ao vivo.

Novo Metal: Vocês têm algum contato com alguma gravadora brasileira para lançarem Turbulence por aqui?
Guilhermino:
A nossa editora australiana Pandemonium Records está, de momento, a preparar a edição internacional do álbum (uma vez que ele já saiu em Portugal ainda durante 2004) e penso que ainda não há acordo para a edição brasileira. Caso haja interesse da parte de alguma distribuidora/gravadora do Brasil podem sempre contatar o grupo (www.thanatoschizo.com; thanatoschizo@hotmail.com) ou a editora (pandemoniumrecords@iprimus.com.au).

Novo Metal: Eu particularmente conheci o ThanatoSchizO através de um site que colocou uma música de vocês para download (http://musica.mustdie.ru). Vocês acham que a maior parte da divulgação das bandas hoje em dia é feita por meio de sites, webzines, etc? E qual o suporte que a gravadora está dando a vocês?
Guilhermino:
Sem dúvida! A internet veio democratizar o acesso à música. As bandas têm uma boa plataforma de divulgação que lhes permite angariar, à partida, uma série de fãs. Nós temos duas editoras: uma em Portugal – Misdeed Records, exclusivamente para o mercado nacional - e uma Australiana – Pandemonium Records que trata da edição internacional. Ambas dão-nos total apoio e têm pessoas no seu staff, nas quais depositamos total confiança.

Novo Metal: Para terminar, vocês podem falar sobre algo que não tenha sido perguntado ou deixar uma mensagem para os leitores do Novo Metal Webzine.
Guilhermino:
Obrigado, Edson, por esta entrevista e visitem o nosso site, assinem o guestbook e deixem-se envolver por esta ambiência esquizofrénica. Até breve e, talvez nos vejamos num qualquer show no

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