Press - Interviews
04th September 2006
Interview for Lusitanium.com

Desde sempre os ThanatoSchizO demarcaram-se pela originalidade do seu som que com o tempo tem ganho consistência e mais qualidade. Misturam vários estilo de metal de forma a que o rótulo progressivo lhes assenta que nem uma luva. Esta sonoridade muito característica é bem capaz de dividir opiniões, mas, pelo menos para já, os fãs estão agradados com a evolução da banda.
Estão a preparar um novo album: assim, Marcos Marado, da equipa da Lusitanium, decidiu fazer-lhes uma entrevista... Pedido aceite prontamente pelo guitarrista da banda, Guilhermino Martins, que respondeu às nossas perguntas...

Se não me engano, faz agora dez anos que tudo começou para vocês, inicialmente como um banda de covers, até que em 1998 decidiram passar aos originais e gravar uma demo com três músicas. Queres dar a conhecer aos nossos leitores um breve resumo do vosso percurso?
Guilhermino:
Muito resumidamente, a banda formou-se em finais de 1997, depois de dois anos passados em ensaios constantes de covers, concertos, concursos de música moderna, tudo com o objectivo de aprimorar o domínio musical e ganhar algum "calo" de palco. A partir do instante em que se deu essa mutação e começámos a compor originais, tornou-se claro que teríamos de gravar algo e, três meses volvidos, registámos a Demo '98 nos Estúdios da Rádio Universidade Marão em Vila Real. O som deste registo é verdadeiramente apoteótico - no pior sentido - e, por isso, resolvemos não comercializar os 3 temas captados. Ao invés, preferimos continuar a ensaiar e isso conduziu-nos à gravação do EP Melégnia nos Rec n' Roll, em Valadares, com a supervisão do Luís Barros - nosso produtor de sempre. Estávamos em 1999 e começámos então uma série interminável de concertos que visavam promover esse lançamento.
Em finais de 2000, a Misdeed Records - que já tinha distribuído o EP Melégnia - contactou-nos no sentido de gravarmos o nosso primeiro longa-duração. Acedemos a este convite e em 2001 surge o álbum Schizo Level. O número intenso de concertos manteve-se e a promoção deste registo conduziu-nos à independente britânica Rage of Achilles que editou em 2002 InsomniousNightLift.
Depois disso, em 2004 editámos o nosso terceiro álbum Turbulence e, após 2 anos a promover esse registo através de concertos, resolvemos abrandar o ritmo e concentrarmo-nos no próximo registo que, prevemos, será editado em meados de 2007.

O vosso último trabalho, Turbulence, e já como era habitual nos vossos lançamentos, mostrou uma faceta e uma sonoridade diferente dos ThanatoSchizO. Como foi recebido este album? Fiquei com a impressão que não foi tão falado como o InsomniousNightLift ou mesmo o Schizo Level...
Guilhermino:
É curioso que digas isso porque foi, sem dúvida, o registo que nos granjeou mais críticas positivas, mais vendas e foi votado em diversos media (por público e/ou jornalistas) como o melhor álbum nacional do ano. Com a distância de 2 anos, consigo visualizar que inicialmente houve uma tentativa de subvalorização do álbum por parte de algumas pessoas, mas isso, na prática, acabou por mediatizá-lo a um nível interessante e permitiu que o suposto "handicap" se tornasse no fundo uma mais valia para os ouvintes e, por conseguinte, para nós.

A tour do Melégnia ficou marcada pela sua extensão, e, supondo que não fui só eu, como fã, que fiquei com essa impressão, foi uma prova da seriedade do vosso projecto, uma afirmação a mostrar que Thanatos não era mais uma banda das que "vêm e vão". Espantou-me, portanto, constatar que durante 2006 decidiram não dar concertos... Queres explicar-nos o porquê?
Guilhermino:
É simples! Depois de tantos anos a tocar ao vivo (no caso do último registo foram quase 2 anos de concertos a promovê-lo) pareceu-nos que, neste momento, a situação ideal seria estarmos totalmente focados no novo álbum. Um concerto acaba sempre por ser uma mistura de sentimentos, rituais e muita logística, o que acabaria por nos distrair do essencial: o nosso quarto álbum. É por isso que, desta forma, estamos a compor o novo registo isolados e imunes a qualquer tipo de pressão.

Podes levantar a pontinha do véu e revelar-nos algo do novo trabalho? Vai seguir as veias mais pesadas, como em Schizo Level, ou as mais suaves como em InsomniousNightLift?
Guilhermino:
Se bem nos conheces, saberás que isso é uma pergunta que de momento não tem resposta. A única coisa que poderás ter como certa é que esta banda nunca se repete. E sim, seria demasiado simples, fácil e quiçá até vantajoso para nós gravar um Turbulence 2, mas isso não irá acontecer.

Era uma pergunta que não podia evitar... O novo album vai contar com as mesmas editoras?
Guilhermino:
À partida sim. Estamos satisfeitos com estas colaborações.

O Schizo Level vai ser re-editado pela Divenia Records para o mercado Americano. Queres falar-nos sobre como apareceu esta oportunidade? Existem planos para a re-edição dos outros albums?
Guilhermino:
A editora mexicana contactou-nos, apresentou a proposta, debatemo-la, aprofundámos uma série de pontos e assinámos. Nada de especial... Em relação a novas reedições há a possibilidade futura de uma reedição do segundo álbum InsomniousNightLift.

Como são os ThanatoSchizO vistos fora de Portugal? Será que com o novo lançamento que começarão também a tocar fora de Portugal?
Guilhermino:
Presumo que sejam vistos como uma banda potencialmente exportável. Não sei se o próximo lançamento nos levará a tocar fora de portas, mas se surgir uma boa oportunidade com uma tour bem organizada e uma boa banda headliner, trataremos de estudar a questão. Já tivemos uma série de oportunidades para tocar no estrangeiro, mas as condições mínimas nunca nos foram satisfeitas e, assim sendo, preferimos não tocar.

Levantou-se muita discussão há alguns meses atrás em Portugal sobre a SPA e a questão da música em formato digital. No entanto veem-se cada vez mais bandas a apostar, tal como ThanatoSchizO, em publicitar a sua música disponibilizando mp3's no seu site e criando espaços na web em serviços como o MySpace. Qual é a opinião dos ThanatoSchizO quanto aos mp3?
Guilhermino:
Eu ainda mantenho uma visão romântica sobre a arte e, neste caso, sobre a música e acredito (ou quero acreditar) que as pessoas compram os álbuns de que gostam, independentemente de já o terem em mp3.

Sei que é posição da banda afirmar que é influenciada por tudo o que ouvem mas que não têm nenhuma influência específica - fazem o vosso próprio som. Podem no entanto dizer-nos quais são os albums que têm rodado mais ultimamente nos vossos leitores de CD?
Guilhermino:
No meu caso, tenho ouvido os novos de Strapping Young Lad, Rain Paint, Peeping Tom e Ihsahn. Excluíndo as novidades, este mês tenho ouvido bastante Secret Chiefs 3, Kip Winger, Fadomorse e Miasma and the Carousel of Headless Horses.

Como achas que está a saúde do Metal Português?
Guilhermino:
Há de facto cada vez mais público para os projectos que se apresentem válidos, frescos e com qualidade. Depois de uma fase algo medíocre, vivem-se tempos saudáveis em termos criativos e têm nascido nos últimos tempos vários grupos que vêm enriquecer este meio. A Internet veio democratizar o panorama e hoje dificilmente alguém se poderá queixar de falta de meios para conhecer esta ou aquela banda. Por outro lado noto o público - ou pelos menos aquele que nos é mais próximo - cada vez mais predisposto a trilhar novos caminhos e isso agrada-me particularmente.

Queres deixar uma mensagem final aos leitores desta entrevista?
Guilhermino:
Antes de mais, agradeço-te por esta entrevista, pelo apoio e pelo interesse em ThanatoSchizO. Aos leitores recomendo uma visita a www.thanatoschizo.com, onde podem acompanhar as novidades em relação à evolução da composição e, mais tarde, da gravação do novo álbum.

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