Press - Interviews
08th June 2008
Interview for Entrevistas de Peso

Guilhermino Martins fala-nos dos ThanatoSchizo
Guilhermino Martins é o guitarrista dos ThanatoSchizo. Guilhermino Martins é também um dos maiores impulsionadores do metal no Norte de Portugal. Fomos falar com ele sobre os ThanatoSchizo, sobre o seu recente trabalho como produtor e sobre o estado da música neste país.

Música de Peso - De Turbulence até Zoom Code passaram-se 4 anos e uma mudança de editora. Porquê a My Kingdom Music?
Guilhermino Martins - Porque tem bandas de que gostamos (Crowhead, Rain Paint) e porque nos apresentaram uma entusiasta proposta para o lançamento do álbum que não nos deixou dúvidas sobre a quem entregar a edição do mesmo.

MP- Quando Turbulence saiu, não tardou a ser considerado um dos melhores álbuns de metal do ano e houve mesmo quem falasse no melhor álbum português em 10 anos. Por outro lado, houve quem vos acusasse de uma falta de som próprio, procurando antes "colar-se" a algo próximo daquilo que os Opeth fazem - inclusive a nível vocal. Como reagiram/reagem vocês perante críticas tão diferentes?
GM - É um facto. Um mesmo tema de TSO chega a ser comparado a coisas diametralmente opostas, o que, a meu ver, só pode ser bom sinal. A nossa reacção normalmente fica-se por um sorriso, seja pelas críticas mais corrosivas, seja pelas descrições mais efusivas. O prazer que retiramos na criação dos álbuns, do expurgar da música que temos cá dentro é impagável e incorruptível.

Zoom Code está a ser recebido de braços abertos, com críticas muito positivas. Mais importante, parece-me a mim que vocês conseguiram atingir um patamar superior: têm o vosso próprio som, o Eduardo e a Patrícia fazem um "dueto" constante, equilibrado e poderoso ao longo de todo o álbum, tu pareces ter dado mais largas às tuas capacidades como guitarrista...enfim, toda a banda parece ter crescido imenso. Isto foi fruto de muito trabalho ao longo destes quatro anos ou foi algo que pura e simplesmente aconteceu, algo espontâneo, fruto de um crescimento individual?
Obrigado! Tenho ideia de que sempre evoluímos muito entre todos os álbuns. Talvez neste CD esse traço evolutivo se note mais, sim. E acaba por ser fruto do nosso crescimento enquanto músicos e pessoas. Com essa maturidade acaba por vir a tal personalização que o nosso som cada vez mais apresenta. Não há um “plano”, as coisas apenas acontecem na sala de ensaios, nos concertos, no dia-a-dia.

MP - Algo que salta também à vista é a incorporação de muitos mais elementos electrónicos em Zoom Code do que em qualquer outro vosso registo. Porquê esta situação? Estás a passar por aquela fase de "fascinação" pela música electrónica, pelo "programming"?
GM - Esse fascínio pelo aproveitamento das potencialidades do “programming” já vem desde há alguns anos, mas, mais do que apreciar essa vertente, é preciso saber dominá-la. E, honestamente, só agora com este álbum nos sentimos suficientemente à vontade para a utilizarmos de forma tão veemente no nosso som.

MP - Como é que vocês vêem Zoom Code? Sentem-se totalmente satisfeitos com o produto final?
GM - É o nosso melhor álbum e é, provavelmente, o primeiro registo de uma nova fase da banda, cada vez mais livre, única e personalizada.

MP - Houve algumas influências diferentes/novas para este registo?
GM - Melómanos como somos, isso acaba, obviamente, por influenciar a forma como compomos, executamos e gravamos a nossa música. Além disso, sendo uma banda tão aberta a influências normalmente não associadas ao metal, é natural que acabemos por incorporar formas de espírito típicas de outros géneros.

MP - Como surgiram as oportunidades de colaboração com o Zweizz e o Timb Harris?
GM - Sentimos que havia espaço para um interlúdio electrónico para a faixa Last of the Few, apresentámos a ideia ao Zweizz e assim nasceu a The Shift. No caso do Timb, imaginámos que aquela secção do tema L. seria óptima para um solo de violino, enviámos-lhe o tema e ele respondeu prontamente, dizendo que queria gravá-lo!

MP - Guilhermino, ultimamente além de músico, passaste para o outro lado e começaste a trabalhar como produtor. Faz parte dos teus objectivos trabalhar como produtor ou procuras apenas dar a conhecer aquilo que por cá se faz?
GM - Eu sou professor de música. A produção surgiu como uma necessidade, inicialmente para as pré-produções de TSO e, numa segunda fase, para gravar os projectos das bandas que se iam formando por esta zona, algumas delas com alunos ou ex-alunos meus. Neste momento não tenho um objectivo delineado no âmbito da produção. Limito-me a ir gravando os projectos que me abordam e nos quais reconheço alguma validade artística, mas tudo sem grandes metas nesse campo, até porque, mais do que um connaiseur, sou um legítimo curioso…

MP - Sentes-te um dos maiores impulsionadores da cena metal no norte do país?
GM - Não. Sinto é que, genuinamente, gosto de ajudar as bandas mais novas para que não tenham de passar pelo que nós passámos por não terem nascido na região de Lisboa, na tentativa de provarem o seu valor. Aconselho, ajudo no que posso e vamos sempre lançando um/dois grupos desta zona a cada Liperske que organizamos.

MP - Se pudessem escolher, como quem dividiam o palco?
GM - Já tocámos com algumas bandas que admiramos como Katatonia, Samael ou Orphaned Land. Neste momento não sei o que os outros elementos de TSO te responderiam, mas, eu adoraria partilhar o palco com Atrox, Porcupine Tree, Pure Reason Revolution ou Three.

MP - Como vêem a cena metal cá em Portugal?
GM - Cada vez mais viva, forte e artisticamente relevante. Falta é um circuito nacional para concertos. Uma lacuna com décadas no nosso país.

MP - Como está a correr a divulgação ao vivo do ZC? Muitos concertos agendados? Quais são os próximos?
GM - Apresentámos o álbum (e celebrámos o décimo aniversário) no passado dia 17 de Maio em Santa Marta de Penaguião (Liperske IV). Entretanto temos mais quatro datas confirmadas (Zamora, em Espanha a 14 de Junho; Metal Grândola a 28 de Junho; In Live, Moita a 20 de Setembro; Showcase semi-acústico na Fnac do Fórum Almada no dia seguinte). De qualquer forma, temos uma série de gigs em negociação pelo que, a curto prazo,trataremos de os ofic

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