10th September 2011
Infektion Magazine focused on female metal and included Patrícia's opinions on the matter

Sentes-te uma mulher num mundo de homens?
Sem dúvida, mas não tanto pelos elementos que fazem parte de ThanatoSchizO, mas mais pelo que vem do exterior. Lamento que não haja mais bandas com participações femininas, mas é uma realidade no nosso país, a qual me parece que possa mudar no futuro. Ultimamente têm surgido mais registos no feminino e isso é extremamente positivo.

Achas que existe uma certa tendência em colocar as bandas com elementos femininos todas dentro do mesmo saco?
As pessoas têm uma predisposição para catalogar e categorizar tudo, daí que a música não é alheia a isso. Assim sendo, é normal que, num primeiro instante, as bandas com elementos femininos sejam inseridas numa categoria e vistas sob os mesmos moldes, já pré-definidos. Porém, cabe ao grupo tratar de mostrar aos ouvintes qual a diferença que o marca e desmarca de todas as outras bandas consideradas “tipicamente femininas” e construir uma imagem mais condizente com o som que querem mostrar.

Quais são os aspectos positivos e negativos de se ser mulher neste meio?
Como aspecto positivo parece-me que o facto de se ser mulher chama por si só a atenção nem que seja apenas por motivos físicos, o que pode levar a uma maior afluência a concertos, por exemplo. Contudo, para mim, este aspecto não funciona bem como um ponto positivo, mas mais como um aspecto negativo, porque, caso a mulher seja extremamente atraente, poderá haver sempre a dúvida de se o que prevalece é a beleza ou as suas capacidades e dotes artísticos. Torna-se um bocado injusto, a meu ver e é o fruto de uma sociedade muito preocupada com o exterior. Além disso, quando se é mulher neste meio, há sempre a ideia que apenas se pode ser competente a cantar e quando alguma aparece a tocar algum instrumento é alvo de um escrutínio bem mais minucioso. É tudo uma questão de mentalidade, claro e de provar o nosso valor.

E relativamente às bocas machistas, já foste alvo de alguma?
Não me recordo de nenhuma, sinceramente, por isso não devo mesmo ter ouvido qualquer comentário machista. No entanto, as pessoas têm mais tendência a falar nas nossas costas, pelo que isto não é nada que me surpreenda caso tenha acontecido, até porque as bocas podem passar despercebidas.

O que é que uma mulher acrescenta a uma banda que um homem não consegue? Creio que não se pode fazer essa distinção, pois existem sempre excepções à regra. Poderia cair no lugar-comum e dizer “sensibilidade, sentido de estética, doçura” e mais algumas coisas, mas creio que essas diferenças podem passar despercebidas ou podem até ser diluídas, dependendo apenas do género musical que crias ou em que estás inserido. A palavra-chave para mim é “indivíduo”, pois cada um tem uma visão diferente do mundo e pode sempre acrescentar mais uma perspectiva à obra. Isso é o que realmente interessa e não o género do compositor ou artista.

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